Este é um ponto sensível para muitos dos profissionais liberais. Nem sempre conseguimos pagar as prestações a horas, e vamos passar a pagar em relação ao IRS ano anterior, independentemente de como esteja a correr este. Não sei se será uma mudança boa de um escalão fixo, mas isso é outro assunto.
O objecto deste post é dar seguimento ao anterior, onde discuti a necessidade de guardar um ordenado por ano para eventuais acidentes de percurso.
Mas parece que isto não é bem aceite pela segurança social.
Neste momento estamos a descontar 29,6% sobre o rendimento relevante (70% no regime simplificado, em que o restante é considerado despesa-o que como vimos antes não se aproxima nem de perto da realidade).
E, segundo a carta que recebi hoje as contas são as seguintes:
Prestação de serviços do ano anterior: 14400€ (para continuar com as contas a 1200€/mês)
Rendimento relevante (70%*€14400)=10080€
Duodécimo: 10080/12=840€
E sobre este valor mensal é aplicado o IAS 840/419,22=2, o que nos coloca no terceiro escalão, sendo aplicada a base de incidência contributiva sobre o escalão imediatamente inferior, ou seja 186,13.
MAS ISTO TEM UMA GRANDE FALHA!
É que nos estão a dizer que recebemos 1200€ por mês, quando esta conta não está correcta.
Isto só faz sentido se presumirmos que o profissional liberal não só recebe ao mês como ainda por cima, ao contrário de todos os outros trabalhadores, não tem direito a 13º.
Senão vejamos:
com um rendimento bruto de 14400, se recebermos 1200*12 a conta faz sentido.
Só que o profissional liberal não é (ou não é suposto ser) um empregado, que recebe regularmente ao final do mês, com direito a subsidio de férias e de natal.
A maior parte deles até recebe à semana. Ou à hora.
Mas 14400/52 semanas dá 276,9 por semana, que multiplicados por 4 daria 1107,70€, bem abaixo do que a SS diz que recebemos por mês.
E o trabalhador por conta de outrém? com o mesmo ordenado bruto anual (14400€/13) recebe 1107,70€.
Sim, recebe EXACTAMENTE o mesmo que nós por semana e no final do ano recebe um ordenado extra de acertos, dos bocadinhos de semana que foi acumulando ao longo dos meses.
Mas só é colectado por 12 meses!!!
Sou só eu que sinto que estou a ser abusado???
segunda-feira, 4 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Quanto custa esta aventura
Recentemente tive que fazer contas à vida, e achei que seria interessante divulgar convosco quanto ganha realmente um freelancer.
Tomemos por exemplo alguém que ganha 1200€ (mil e duzentos euros) por mês a recibos verdes.
Parece um bom valor, muito boa gente fica com o olho cheio quando lhe oferecem valores deste montante.
Mas façamos as contas.
Para começar temos as prestações fixas e obrigatórias.
21,5% de IRS, correspondentes a 258€.
Depois a segurança social fica com 186€, neste escalão.
Portanto, mensalmente sobre os mil euros, descontam à cabeça 444€. Isto é mais de um terço do que receberam.
Mas não nos podemos ficar por aqui. O profissional liberal é obrigado a contrair um seguro de trabalho, que rondará os 150€/ano em média. Há mais baratos com menos cobertura e mais caros com mais, mas esta é a média. São menos 12,5€ por mês.
Continuamos para o equipamento, essencial a grande parte dos artistas. Um bom computador, com uma esperança média de vida de 4 anos, custa uns 2500€, que dividindo por 4 anos dá 625€/ano, a dividir por 12 meses dá 52,08€ por mês.
Saldo até agora, só para se manterem a trabalhar, 444+12,5+52,08=508,58€.
Ligação à internet e telefone, essenciais para trabalhar hoje em dia. Em média rondam os 50 euros. Há mais baratos, mas provavelmente são demasiado lentos para o que é preciso, envio de ficheiros grandes e afins. Soma 558, 58€.
Vamos então falar de software? Óbvio que muita gente pirateia. Mas não é suposto ser preciso. Nem vou pegar pelo windows, que costuma vir com o computador. Vamos só ao office e a uma suite de desenho. Adobe CS4 suite(já não é o mais recente, mas ainda pode durar uns 4 anos): 3500€ Office 2010: 380€ (também costuma durar um par de anos) soma de software: 3880€, a dividir por 4 anos==970, a dividir por 12 meses=80,83€
Soma: 639,41€
Já ultrapassámos os 50%? Parece-me que sim.
Enfim, ainda levam para casa cerca de 560,59€.
Não é mau, para quem produziu 1200€ de riqueza.
Mas que disparate. Fiz as contas todas a dividir por 12. Não contei com subsidio de natal nem de férias.
Ah, e não esquecer que não há direito a baixas por doença, paternidade, apoio à família, subsidio de desemprego então é esquecer. Todos estes valores vão sair do bolso do freelancer.
E não se pode viver na corda bamba, não é?
Uma jogada inteligente seria guardar pelo menos um ordenado por ano para um azar. Ora 1200€/12=100€.
Ui. Total para viver: 460,59€.
Desta fortuna retirem a renda, a alimentação e a roupa, se conseguirem.
Luxos?
Só realmente a liberdade de gerir o tempo conforme nos dá mais jeito.
O que nem sempre se verifica porque o cliente acha que estamos à disposição 24 sobre 24 horas, o trabalho é sempre para ontem e o pagamento prometido para o final do mês afinal só é feito a 180 dias.
Tem coisas boas. Tempo para estar com a família, tempo que não se perde nos transportes todos os dias, o conforto de trabalhar em casa.
Espero não vos demover, não é esse o objectivo deste post. É só mesmo porque tomei mais uma vez noção do que me custa manter-me a trabalhar e da talhada que levo todos os meses de impostos.
Tomemos por exemplo alguém que ganha 1200€ (mil e duzentos euros) por mês a recibos verdes.
Parece um bom valor, muito boa gente fica com o olho cheio quando lhe oferecem valores deste montante.
Mas façamos as contas.
Para começar temos as prestações fixas e obrigatórias.
21,5% de IRS, correspondentes a 258€.
Depois a segurança social fica com 186€, neste escalão.
Portanto, mensalmente sobre os mil euros, descontam à cabeça 444€. Isto é mais de um terço do que receberam.
Mas não nos podemos ficar por aqui. O profissional liberal é obrigado a contrair um seguro de trabalho, que rondará os 150€/ano em média. Há mais baratos com menos cobertura e mais caros com mais, mas esta é a média. São menos 12,5€ por mês.
Continuamos para o equipamento, essencial a grande parte dos artistas. Um bom computador, com uma esperança média de vida de 4 anos, custa uns 2500€, que dividindo por 4 anos dá 625€/ano, a dividir por 12 meses dá 52,08€ por mês.
Saldo até agora, só para se manterem a trabalhar, 444+12,5+52,08=508,58€.
Ligação à internet e telefone, essenciais para trabalhar hoje em dia. Em média rondam os 50 euros. Há mais baratos, mas provavelmente são demasiado lentos para o que é preciso, envio de ficheiros grandes e afins. Soma 558, 58€.
Vamos então falar de software? Óbvio que muita gente pirateia. Mas não é suposto ser preciso. Nem vou pegar pelo windows, que costuma vir com o computador. Vamos só ao office e a uma suite de desenho. Adobe CS4 suite(já não é o mais recente, mas ainda pode durar uns 4 anos): 3500€ Office 2010: 380€ (também costuma durar um par de anos) soma de software: 3880€, a dividir por 4 anos==970, a dividir por 12 meses=80,83€
Soma: 639,41€
Já ultrapassámos os 50%? Parece-me que sim.
Enfim, ainda levam para casa cerca de 560,59€.
Não é mau, para quem produziu 1200€ de riqueza.
Mas que disparate. Fiz as contas todas a dividir por 12. Não contei com subsidio de natal nem de férias.
Ah, e não esquecer que não há direito a baixas por doença, paternidade, apoio à família, subsidio de desemprego então é esquecer. Todos estes valores vão sair do bolso do freelancer.
E não se pode viver na corda bamba, não é?
Uma jogada inteligente seria guardar pelo menos um ordenado por ano para um azar. Ora 1200€/12=100€.
Ui. Total para viver: 460,59€.
Desta fortuna retirem a renda, a alimentação e a roupa, se conseguirem.
Luxos?
Só realmente a liberdade de gerir o tempo conforme nos dá mais jeito.
O que nem sempre se verifica porque o cliente acha que estamos à disposição 24 sobre 24 horas, o trabalho é sempre para ontem e o pagamento prometido para o final do mês afinal só é feito a 180 dias.
Tem coisas boas. Tempo para estar com a família, tempo que não se perde nos transportes todos os dias, o conforto de trabalhar em casa.
Espero não vos demover, não é esse o objectivo deste post. É só mesmo porque tomei mais uma vez noção do que me custa manter-me a trabalhar e da talhada que levo todos os meses de impostos.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Orçamentos
Acontece com mais regularidade do que gostaríamos, chegar ao fim de um trabalho e andar às voltas com o cliente por causa de pagamentos, de direitos, de alterações. É sempre uma dor de cabeça, que acontece em grande parte porque não foram feitas as perguntas certas antes de se apresentar o orçamento.
Por isso deixo aqui uma lista de sugestões de dados a obter do cliente, antes de entregar o orçamento.
1-Quem é o cliente?
Há algo mais que gostassem de acrescentar?
Deixem-nos as vossas sugestões!
Por isso deixo aqui uma lista de sugestões de dados a obter do cliente, antes de entregar o orçamento.
1-Quem é o cliente?
- Nome, NIF, morada. Estes dados são essenciais.
- Quem aprova o trabalho final? Muitas vezes estamos a trabalhar com intermediários, que nos dão um OK deixando-nos com a ideia de que realmente o trabalho foi aprovado, quando na realidade ainda tem que passar pelo aval de outra pessoa. Julgamos o trabalho terminado e entregue e de repente lá vem mais uma alteração...
- Quem trata dos pagamentos? Será que depois de terminado o trabalho vamos andar meses à volta de um departamento financeiro? É importante que se esclareça o processo de pagamento, o tipo de documentos que precisam e o nome da pessoa responsável pelo processo.
- Os dados de quem comissiona. Pode ser um agente, uma agência que trabalha para terceiros.
- Qual a % da comissão. Aqui ter em atenção que uma comissão de 50% sobre o trabalho não é a mesma coisa que uma comissão de 50% do trabalho. Numa delas o trabalho vai para o cliente com 150% do valor, sendo 100% para o autor e 50% para o agente, noutra o agente fica com 50% do valor que vai para o cliente.
- O local de uso, se é um outdoor, um livro, uma exposição, e em quantos locais vai estar exposto.
Uma ilustração para o jornal local não tem o mesmo numero de visualizações que uma para a newsletter de uma multinacional com milhares de empregados. - Se é uma publicação, quantos exemplares? Quantas edições?
- Por o cliente ter comprado uma ilustração para a sua publicação não lhe permite usar essa imagem como campanha de marketing, ou mesmo de vender produtos com a imagem. O uso deve ser descrito claramente (promoção, venda, aluguer, etc).
- Vai ser usada apenas naquela publicação ou ficará depois no site do cliente, onde pode ser visto por milhões de pessoas e descarregado vezes sem fim?
- O cliente pretende guardar direitos sobre a obra? Caso contrário, findo o tempo de uso, a obra pode ser revendida a um banco de imagens, por exemplo.
- O nome do autor estará presente e em local visível? Muitas agências subcontratam a ilustração, mas não querem que o cliente saiba que o trabalho foi feito fora da agência, e como tal não identificam o autor. No entanto, não sendo funcionário da agência, o autor tem o direito à paternidade da obra.
- Se pretende apenas custear a execução, e deixar para depois o custo da licença de reprodução, no caso de obras que ainda vão a concurso.
- Se pretende poder alterar a obra
- Se pretende adquirir todos os direitos da obra
Há algo mais que gostassem de acrescentar?
Deixem-nos as vossas sugestões!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Dia mundial do desenhador
a 15 de Abril de 1452 nascia Leonardo Da Vinci.
Por isso hoje é o dia mundial do Desenhador.
A todos os colegas, um grande parabéns!
Por isso hoje é o dia mundial do Desenhador.
A todos os colegas, um grande parabéns!
quarta-feira, 14 de abril de 2010
A vida cíclica do freelance

O leão, porque não sabe quando voltará a ter comida, quando a tem, come até rebentar.
Quem anda no freelance sabe que é uma vida de ciclos.
Como uma onda, cuja linha sobe e desce de forma mais ou menos ritmada.
Alguns conseguem contornar ligeiramente este factor com avenças, mas regra geral é uma actividade marcada por períodos de muito trabalho intervalados por outros em que o trabalho é pouco ou nenhum. E mesmo as avenças tendem a terminar nas alturas de crise, deixando o freelancer completamente desamparado.
Porque acontece
Começa por haver tempo livre. Porque queremos ser artistas. Fazem-se uns bonecos, participam-se em blogs e concursos online, comentam-se os posts dos outros artistas, que verdade seja dita, a gente gosta de trabalhar mesmo quando não ganha nada com isso.
E o que acontece é que, o que para o incauto freelance é um momento de lazer, para um empreendedor exactamente a mesma coisa chama-se "networking".
Que se pode traduzir livremente por "fazer-se ver".
E com a visibilidade, naturalmente, começa a surgir o trabalho.
Entramos assim na parte ascendente da curva de produção do freelancer. Trabalho puxa trabalho, há uma presença forte na net, e invariavelmente os clientes aparecem aos jorros(ou pelo menos o suficiente para pagar as contas).
Como seria de esperar, um grande volume de trabalho implica uma dedicação quase exclusiva, o que significa uma redução drástica do tempo disponível, e lá se começa a cortar nas coisas menos "importantes", como fazer bonecos por prazer e comentar nos blogs.
E entramos na curva descendente.
Não é que não haja trabalho, mas começa a surgir com menos regularidade.
Afinal andámos desaparecidos, os clientes antigos já não se lembram de nós ou encontraram uma nova presença na rede e os novos nem sabem que existimos.
Até que o trabalho dá lugar ao tempo livre.
E o ciclo recomeça.
O dilema
Não seria agradável que o fluxo de trabalho fosse constante, e que ainda assim houvesse tempo para a fanart, os blogs, os concursos e o prazer?
Lá ser, seria, mas o síndrome do leão estraga tudo.
Não passa pela cabeça de nenhum freelance recusar um trabalho porque tem aquele tempo reservado para o networking. Trabalho é sempre trabalho. E se aquele é que era o "tal" cliente? E se o cliente vai ter com outro ilustrador e não regressa mais? Então andei a investir no networking para depois andar a recusar clientes? Vou deitar isto tudo a perder porque quero ler uns blogs? E? E? E?
Não.
Deitas tudo a perder precisamente porque deixas de ler os blogs.
Lidar com o networking
O que é que se pode fazer então?
A resposta é simples: disciplinar a coisa.
Reconhecer que o tempo passado em contacto com o mundo exterior não só é essencial para a nossa sanidade mental como é a única coisa que nos vai manter a trabalhar.
Há quem guarde uma hora de manhã para "soltar a mão", para ler os feeds, para socializar um bocadinho, quase como o coffee break numa qualquer empresa. Outros preferem fazê-lo ao fim do dia, quando já despacharam o trabalho e não têm que gerir a ansiedade do ter que fazer.
Cabe a cada um definir o investimento que vai fazer na publicidade ao seu negócio - que no fundo não passa disso - e que no caso do freelance se paga com tempo.
Reservar a altura do dia que considera ideal, seja pela paz de espírito seja porque é a altura em que as pessoas que interessam estão ligadas, e mostrar-se activamente.
Com a vantagem de saber que não só se está a divertir com o que antes era apenas um momento de lazer, mas que também está a dar um passo essencial para reduzir a barriga da curva do trabalho para uma coisa mais próxima da linha recta.
E talvez não sejamos tão duros quando os clientes num aperto começam por cortar na publicidade, afinal fazemos o mesmo.
O networking também se faz entre colegas
Agora partilhem os vossos momentos de networking: que sites e blogs visitam regularmente? Que método preferem, e quanto tempo reservam para a socialização?
artigo também em serfreelance.com
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Links parte 2
Hoje trago-vos um blog que, apesar de ser mais virado para o design e a fotografia, é em português e virado para o freelance.
Diz a autora, Ana Martelo:
"O SerFreelancer começou como uma espécie de colectânea de vários artigos, recursos e dicas de referência para todos aqueles que trabalham como freelancers, em qualquer área, mas mais dedicado à área de criação artística.
A ideia principal do Blog é ajudar todos aqueles que tal como eu trabalham sozinhos.
O Blog é escrito por AnaMartelo, Designer e Fotógrafa freelancer.
Se, assim como ela, é freelancer ou apenas interessado na área, sinta-se a vontade para comentar, propor artigos ou fazer qualquer questão.
Cumprimentos,
AnaMartelo"
Ide e espreitai.
SerFreelancer.com
Mas depois voltem :)
Diz a autora, Ana Martelo:
"O SerFreelancer começou como uma espécie de colectânea de vários artigos, recursos e dicas de referência para todos aqueles que trabalham como freelancers, em qualquer área, mas mais dedicado à área de criação artística.
A ideia principal do Blog é ajudar todos aqueles que tal como eu trabalham sozinhos.
O Blog é escrito por AnaMartelo, Designer e Fotógrafa freelancer.
Se, assim como ela, é freelancer ou apenas interessado na área, sinta-se a vontade para comentar, propor artigos ou fazer qualquer questão.
Cumprimentos,
AnaMartelo"
Ide e espreitai.
SerFreelancer.com
Mas depois voltem :)
quarta-feira, 10 de março de 2010
Carta a um Ilustrador
Caro ilustrador:
Eu sou um editor que até há pouco contratava ilustradores para os meus livros.
Mas entretanto um amigo disse-me que podia tê-lo a trabalhar de borla.
O meu amigo disse-me que a única coisa que tenho que fazer é prometer mais trabalho no futuro se eu gostar do seu trabalho.
O meu amigo disse-me que consigo até ter uma série de ilustrações sem lhe pagar um tostão, desde que lhes chame "testes".
O meu amigo também me disse para lhe dizer que tenho outros ilustradores a concorrer ao trabalho, e que escolherei o melhor de entre vós.
Não fazia ideia de que era tão fácil ter um ilustrador a trabalhar de borla e em troca terei que levar o meu amigo a almoçar para lhe agradecer.
Sinceramente,
Potencial Cliente
via no spec
Assinar:
Postagens (Atom)
