quarta-feira, 10 de março de 2010

Carta a um Ilustrador

Caro ilustrador:

Eu sou um editor que até há pouco contratava ilustradores para os meus livros.
Mas entretanto um amigo disse-me que podia tê-lo a trabalhar de borla.
O meu amigo disse-me que a única coisa que tenho que fazer é prometer mais trabalho no futuro se eu gostar do seu trabalho.
O meu amigo disse-me que consigo até ter uma série de ilustrações sem lhe pagar um tostão, desde que lhes chame "testes".
O meu amigo também me disse para lhe dizer que tenho outros ilustradores a concorrer ao trabalho, e que escolherei o melhor de entre vós.

Não fazia ideia de que era tão fácil ter um ilustrador a trabalhar de borla e em troca terei que levar o meu amigo a almoçar para lhe agradecer.

Sinceramente,
Potencial Cliente

terça-feira, 3 de novembro de 2009

3 meses

Após uma longa ausência (1 mês de semi-férias, 1 mês a recuperar o trabalho que não foi feito nas semi-férias e mais um mês a meio gas por doença relacionada com o excesso de trabalho aliado ao pouco sono) creio que estou finalmente recuperado.
Por isso nada como voltar à carga.

Deixo-vos uma pergunta:

Vêm-se a fazer alguma outra coisa que não seja desenhar/pintar/design'ar?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O "concurso" - parte II

Num mundo perfeito, todas as pessoas seriam competentes nas suas funções, garantindo não só o lucro para a empresa para a qual trabalham como também o bem-estar, a justa e atempada remuneração e dignidade dos seus colaboradores, regulares ou não.

Mas o mundo não é perfeito.

Enquanto freelancers, a única coisa que realmente oferecemos são soluções que se afigurem como mais-valias para o negócio do cliente. Tudo o resto é cosmética.

Um colega de profissão rejeitou recentemente um trabalho.
Apesar de ter um portfolio na net, o cliente insistia em reunir para avaliar o trabalho deste ao vivo, apesar da distância ser considerável, sem ter ainda adjudicado o trabalho.
E provavelmente o cliente iria pedir uma "prova" ao vivo, para ver quanto tempo demora a realizar o trabalho, juntar vários candidatos para que a pressão da concorrência leve a baixar o preço, um sem-fim de manobras com o único intuito de fazer baixar o custo.
No fundo, um "concurso".

É aqui que um bom freelance se demarca.

Compreende que este género de cliente está tão focado no custo que provavelmente está a descurar outras caracteristicas do trabalho. Provavelmente sempre trabalhou assim, e como funciona, estaciona na sua zona de conforto e não evolui dali.
Provavelmente o freelancer também tem o seu método, que levou anos a desenvolver, e também se sente mal quando lhe pedem para sair da sua zona de conforto.
Mas o freelancer é antes de tudo um bom profissional.
E ainda antes de recusar, tenta compreender qual é o problema.

O problema nunca é o dinheiro.

O custo é importante, mas o profissionalismo, a qualidade, a boa impressão que se deixa, o fazer com que o cliente final queira voltar a trabalhar com o nosso cliente, tudo isto são mais-valias que o cliente provavelmente descura por via do automatismo.
Mas sem saber exactamente qual é o problema, não é possível apresentar uma solução.

Que fazer então?

Perguntar. Saber exactamente porque é que a empresa funciona daquela maneira, e porque é que aquele método funciona para eles.
Verificar que partes de um bom serviço é que o cliente está a perder com o seu método, e então apresentar a nossa solução.

Podemos sempre desistir e achar que o cliente é um malandro, um chico-esperto, que só pensa no dinheiro-algo que ele está no direito de ser-, mas se não estamos a oferecer uma solução para um problema que se torne numa mais-valia para o cliente, não estamos a trazer beneficio a nenhuma das partes.

Gostava de ouvir as vossas histórias de como deram a volta por cima com problemas destes.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Links parte 1

Hoje deixo-vos aqui os primeiros links para blogs/sites/etc sobre a actividade freelance.

O primeiro é o Freelanceswitch.
Este site é um manancial de informação útil.
Tem uma série de artigos habilmente distribuidos por zonas de acção, um fórum, uma tira cómica, um podcast com profissionais que partilham as suas experiências, job boards e um sem-fim de links úteis tanto para informação como para ferramentas de trabalho.
Vale bem a pena seguir.

Na mesma onda temos o Freelancefolder.
Com um conteúdo mais "prático", também inclui artigos sobre marketing, inspiração, productividade, etc.

Para terminar por hoje há ainda o WebWorkerDaily.
Mais virado para quem usa a internet como ferramenta de trabalho, freelancer ou não, tem informação sobre a importância das redes sociais e como lidar com elas, uma biblioteca enorme e novidades sobre aplicações web que vão surgindo.

Vou pondo a lista ali ao lado para que possam ter acesso directo aos sites.

Que sites é que seguem?
Deixem as vossas sugestões de links.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O "concurso"

O "concurso" está na moda.
O cliente quer editar um livro ilustrado.
Trata então de contactar uma série de ilustradores para que façam duas ou três ilustrações com base no texto, de modo a que o autor possa avaliar como irá ficar o produto final e escolher o ilustrador que mais lhe agradar.
Apenas não quer pagar nada por este trabalho inicial.
O vencedor ganha a possibilidade de ilustrar o livro, nos preços e dentro dos prazos definidos pelo cliente, e perde todos os direitos sobre as imagens.
Curiosamente, os valores oferecidos por este género de clientes são, regra geral, abaixo do valor médio de uma ilustração.

Então qual é a vantagem?
Nenhuma.

Isto é conhecido por "spec work", e traz à tona uma discussão acesa que se gerou com o evento do acesso generalizado a ferramentas profissionais. Mas o pincel não faz o artista, ou faz?
Além do mais, não é senão natural que o cliente queira uma garantia de que o produto final que obtem é exactamente aquilo que pretende. Mas se eu vou avançar com uma proposta, e no final o que ganho é menos que o que cobraria a um cliente normal, onde é que eu recupero o risco dessa proposta?

Como disse, a discussão sobre a legitimidade e justiça deste género de "concurso" está ainda muito acesa no meio profissional, e no fundo creio que caberá a cada um decidir por si se precisa mesmo de se sujeitar a este género de condições, e o mercado tratará de dar ou não continuidade a este género de propostas.

E é aqui que entra o objectivo deste post.
Dizer "não, obrigado".

Dizer não a uma proposta destas é dificil.
Principalmente porque qualquer ilustrador profissional fica legitimamente ofendido, e não é fácil ser-se diplomático quando alguém mexe com os nossos sentimentos.

Para dar alguma ajuda, elaborei uma carta que partilho convosco, que podem livremente alterar, adaptar e usar como vossa.
Tenta ser profissional, equilibrada e diplomática, faz saber ao cliente o nosso propósito enquanto profissionais e ajuda a aliviar um bocadinho aquele sentimento de que estão a desvalorizar o nosso trabalho.


O que acham? É uma boa alternativa? Funciona? Como podemos melhorar a carta?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A relação cliente/freelancer no mundo real

Não me canso de ver este filme. Creio que já as ouvi todas.
Fica aqui um momento de humor porque isto a vida não é só chatices.


terça-feira, 28 de julho de 2009

O preço pelo pacote

Não é incomum que um cliente que encomenda um trabalho grande peça um "desconto especial" por estar a dar muito trabalho.
Mas talvez seja um erro para o freelance aceitar fazer o desconto.

O que é que está em causa aqui?

Primeiro que tudo o desconhecimento jusificável por parte do cliente do processo de trabalho de um freelancer.
O que seria natural para qualquer empresa, uma vez que ao aumentarem a produção reduzem o custo por peça e não é senão natural que façam esse desconto, não se verifica para o freelancer. Este é uma pessoa só a trabalhar e não consegue reduzir custos apenas pelo facto de ter mais trabalho.
Antes pelo contrário, a dedicação exclusiva a um único trabalho, algo a que um freelance não está normalmente habituado, vai requerer um esforço suplementar para manter a dedicação e qualidade ao longo da obra.

Em segundo lugar, está a visibilidade. Um trabalho grande implica normalmente um periodo longo de ausência do mercado de trabalho. E a visibilidade é um factor essencial para que um freelancer tenha trabalho. Ninguém dá trabalho a quem já esqueceu.

Em terceiro lugar está a disponíbilidade. Se o freelancer pega num trabalho grande, há sempre uma forte probabilidade de ter que dizer "não" a novos clientes ou pior, a um cliente que gostou do trabalho dele e quer mais. Não atender esses clientes implica não só deitar por terra todo o trabalho que se teve a fidelizar o cliente como se corre o risco de o cliente depois de ter experimentado outro colega, não recorra mais aos nossos serviços, porque as pessoas de um modo natural oferecem alguma resistência à mudança.

Considerando estes factores, de repente um trabalho grande poderá até ficar mais caro.

Por isso o ideal nestas situações é conversar sobre estas questões préviamente com o cliente, para que haja alguma abertura para particionar o trabalho, negociando os prazos a cada tranche.

Isto permite não só alguma respiração entre fases como um melhor agendamento do trabalho, que permita ao freelancer cumprir com prazos e qualidade.

Como é que vocês negoceiam os vossos "descontos"?